segunda-feira, 12 de janeiro de 2026

Temperança

Não há crença na culpa,
eu acredito no desencontro.
Dois caminhos que se tocam
e caminham juntos até onde podem.

O que nasceu e o que foi,
isso é verdadeiro.
Há beleza naquilo que existiu
dentro do tempo que lhe coube.

As suas mãos fechadas
que seguram pesos e faltas,
ilusões de culpa e controle.
Empreste-as para mim por um instante,
deixe que eu te ajude a abri-las.
Para que você solte também.

E que a liberdade te encontre
assim como a brisa toca seu rosto.
Sem pedir passagem,
sem intenção,
sem direção imposta.


quinta-feira, 8 de janeiro de 2026

segunda-feira, 5 de janeiro de 2026

É estranho estar trancado do lado de fora, mas saber que também tem uma parte de mim trancada dentro de você.

quarta-feira, 24 de dezembro de 2025

Eu abracei minha mãe hoje e ela me perguntou se tudo estava bem. Tive vontade de chorar, mas eu não consegui. Algumas vezes a água dentro de mim seca. Toda a minha água acaba preservada para sustentar uma pequena muda de esperança no meu peito.
Esperança sem nome, só esperança de estar vivo e não me esquecer. Esperança de não sentir vergonha, esperança de não sentir culpa. Esperança de poder construir, poder compartilhar, de mudar.
Esperança em poder ser gentil. Esperança que os outros possam viver sem se sentir impedidos por qualquer medo que seja.
Esperança em ser forte, continuar forte e poder ser fraco também, vulnerável.
Esperança que eu termine da mesma forma que essa pequena muda dentro do meu peito: uma árvore grande para que todos que eu amo e amei possam se deitar debaixo da sombra da copa e descansar livremente, que seus pulmões se encham de afeto, de paz e felicidade. Que recebam o que precisam, mesmo aquilo que eu não tive.

segunda-feira, 22 de dezembro de 2025

Nao há ninguém na frente desta porta

Eu me perdi de mim
nestes poucos dias.
Eu me perdi de mim
em muitas palavras,
em muitos gestos.

Eu me perdi de mim
nos seus silêncios,
na sua ausência.
Eu me perdi de mim,
nas minhas ansiedades,
nos meus medos
de me perder de você.

E agora retorno a mim,
envergonhado, triste.
Mas também com alívio,
por que não?

Volto a mim
e me encontro mais uma vez.
E estarei aqui, comigo mesmo,
para todos os que quiserem me (re)encontrar.

domingo, 14 de dezembro de 2025

Este mundo também é bom

Este mundo é cruel, meu bem.
Neste mundo, esmaga-se a gentileza.
A rosa de Drummond é sufocada
antes mesmo de irromper da calçada.

Este mundo é cruel, meu bem.
Coloca sob nossas costas
uma gravidade não natural.
Neste mundo é pesado o sentir.

Mas são cruéis os rios?
Os mares, os peixes e os recifes?
São cruéis os pássaros,
as árvores, os insetos
e todos os outros animais?
Somos todos nós também
impossivelmente e inevitavelmente
cruéis também?

Talvez fosse melhor dizer
que esse mundo pode ser cruel também, meu bem.
E nós, podemos ser muito mais
do que dizem que o mundo é.

Este mundo também é bom, meu bem.
Neste mundo há gentileza.
Há carinho, há inocência.
Há coisas para dar e receber.
Neste mundo há amor
e vida para compartilhar.

sexta-feira, 7 de novembro de 2025

Os arcanos do tempo e do fogo

Te escrever nesses poucos minutos,
caçando o tempo de um abraço,
de um beijo, de uma palavra a mais que fosse.

Nesses poucos minutos,
desenhar com os dedos
nos seus braços,
na sua pele.
Refazer os traços das suas tatuagens,
das pequenas marcas no seu corpo.

Depositar a minha crença
nessa magia que você lançou,
nesse ritual em que participei.

Um fio dos nossos cabelos,
uma gota de saliva,
o calor das minhas mãos,
a noite nos teus olhos.

Esse feitiço que você criou,
que engarrafou o tempo em uma memória
de um pequeno momento no espaço.
Um pacto selado com os lábios.

Esse encanto que você colocou,
que me queima por dentro,
dia e noite.
Esse calor que só se torna suportável
se compartilhado no toque do meu corpo com o seu.

No espaço do abraço,
no silêncio dos olhos,
no movimento das mãos.
Cânticos entoados por lábios unidos.

Um feitiço para guardar o tempo,
um encanto para alimentar o fogo.
A magia elementar
que você me ensinou.