e percebo que não encontro raiva,
não encontro ódio.
E tudo queima ainda assim.
Para que não se perca tudo
eu aprendi a me sacrificar no lugar.
Eu sempre posso começar de novo.
Eu sempre posso tentar outra vez.
Mas talvez eu seja como Orfeu,
que fez de tudo até o limite,
mas ainda inseguro olhou para trás.
Fez-se morto na sua perda
antes de morrer nas mãos das bacantes.
Eu estou a deriva nesse rio,
despedaçado novamente,
as partes de mim flutuam
sem se encostar.
Eu fecho meus olhos.
Eu sigo no rio,
sem poder voltar.
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