quarta-feira, 24 de dezembro de 2025

Eu abracei minha mãe hoje e ela me perguntou se tudo estava bem. Tive vontade de chorar, mas eu não consegui. Algumas vezes a água dentro de mim seca. Toda a minha água acaba preservada para sustentar uma pequena muda de esperança no meu peito.
Esperança sem nome, só esperança de estar vivo e não me esquecer. Esperança de não sentir vergonha, esperança de não sentir culpa. Esperança de poder construir, poder compartilhar, de mudar.
Esperança em poder ser gentil. Esperança que os outros possam viver sem se sentir impedidos por qualquer medo que seja.
Esperança em ser forte, continuar forte e poder ser fraco também, vulnerável.
Esperança que eu termine da mesma forma que essa pequena muda dentro do meu peito: uma árvore grande para que todos que eu amo e amei possam se deitar debaixo da sombra da copa e descansar livremente, que seus pulmões se encham de afeto, de paz e felicidade. Que recebam o que precisam, mesmo aquilo que eu não tive.

segunda-feira, 22 de dezembro de 2025

Nao há ninguém na frente desta porta

Eu me perdi de mim
nestes poucos dias.
Eu me perdi de mim
em muitas palavras,
em muitos gestos.

Eu me perdi de mim
nos seus silêncios,
na sua ausência.
Eu me perdi de mim,
nas minhas ansiedades,
nos meus medos
de me perder de você.

E agora retorno a mim,
envergonhado, triste.
Mas também com alívio,
por que não?

Volto a mim
e me encontro mais uma vez.
E estarei aqui, comigo mesmo,
para todos os que quiserem me (re)encontrar.

domingo, 14 de dezembro de 2025

Este mundo também é bom

Este mundo é cruel, meu bem.
Neste mundo, esmaga-se a gentileza.
A rosa de Drummond é sufocada
antes mesmo de irromper da calçada.

Este mundo é cruel, meu bem.
Coloca sob nossas costas
uma gravidade não natural.
Neste mundo é pesado o sentir.

Mas são cruéis os rios?
Os mares, os peixes e os recifes?
São cruéis os pássaros,
as árvores, os insetos
e todos os outros animais?
Somos todos nós também
impossivelmente e inevitavelmente
cruéis também?

Talvez fosse melhor dizer
que esse mundo pode ser cruel também, meu bem.
E nós, podemos ser muito mais
do que dizem que o mundo é.

Este mundo também é bom, meu bem.
Neste mundo há gentileza.
Há carinho, há inocência.
Há coisas para dar e receber.
Neste mundo há amor
e vida para compartilhar.