sábado, 28 de dezembro de 2024

A gente morre todas as noites
pra nascer todos os dias
Em algumas pouco
Em outras muito

quinta-feira, 26 de dezembro de 2024

Este poema é um registro do esquecimento

Eu te odeio
Tanto tanto
que me esqueço
que te amo

Eu te amo
Tanto tanto
que me esqueço
que te odeio

Vou esquecendo
de te odiar
Vou esquecendo
de te amar
E vou esquecer você
assim que eu esquecer de mim

segunda-feira, 9 de dezembro de 2024

Esquecer é o caminho mais fácil para uma cura "rápida". Talvez, por isso, não seja o melhor.
As feridas abertas nos propelem no futuro para os mesmos erros quando não cuidadas. Eu olho para mim mesmo agora e vejo as mesmas feridas de antes, abertas novamente junto de algumas novas. E eu poderia esquecer tudo mais uma vez, seguir em frente e virar um refém do acaso. 
Nós vamos ser confrontados por outros ou até por nós mesmos quando menos esperamos, e as costuras podem se arrebentar mais uma vez. Claro, podemos esquecer de novo e seguir vivendo, como já fizemos tantas vezes antes. Mas por quê?
Dói, bastante, e não deixar o esquecimento tomar conta às vezes me joga de volta para o lugar de abandono, perda, tristeza, entre tantas outras emoções "ruins". Tenho começado a sentir lampejos de raiva, e eu vou senti-la. Mas eu olho para ela e tudo que vejo é uma criança que precisa ser acolhida, um pequeno monstro que não sabe o que faz. Porque eu também não sei ainda.
Eu sei que cada passo a frente que eu dou, um peso sai das minhas costas, porque sei que não serei a mesma pessoa quando estiver naquele mesmo lugar outra vez. Isso ainda não é o suficiente para que me sinta bem, mas no longo prazo sei que vou estar a quilômetros de distância do ponto de partida. E há muito pelo caminho para descobrir.

domingo, 1 de dezembro de 2024

Lista de compras

1 Culpa x Responsabilidade

1 Solidão x Solitude

2 Visita ao passado

2 Necessidade, Desejo e Abstinência

4 Saudade e Memória

5 Amor, Paixão e Luto

10 Tempo


*Parcelar no crédito


sábado, 23 de novembro de 2024

Caminhar como a chuva

Preciso encontrar meu caminho no mundo
Mais um, mais uma curva
Mais uma volta
Mais uma estrada

Desencontrar é necessário
O prólogo do encontro
O tempo como um rio
O desdobramento dos afluentes

Viver os caminhos
Estar vivo
Respirar
Um, dois, três 
Exalar

Eu não sei muita coisa
e provavelmente vou morrer sem saber
Então vou caminhar

sábado, 16 de novembro de 2024

 Hoje acordei me sentindo estranho, uma angústia, uma ansiedade talvez. Mesmo indo dormir me sentindo bem no dia anterior. Acho que o coração ainda sente, mesmo que a mente não entenda. Talvez esteja sentindo muito a sua falta, especialmente nesses dias de tanta chuva.

Talvez eu deva deixar chover por dentro e pelos meus olhos também.

quinta-feira, 14 de novembro de 2024

As mil maneiras

Eu vou dormir mil horas
e sei que ao acordar
ainda vou amar você

Vou caminhar mil quilômetros
e sei que no final do caminho
ainda vou amar você

E ao lembrar de você mil vezes
e do seu rosto que me olhava
como se fosse me ver pela última vez,
eu vou chorar mil vezes
e ainda assim,
eu vou amar você

E vou dizer mais mil palavras,
viver mais mil dias,
ouvir mil músicas.
e quando a dor se acomodar,
ainda vou amar você.

Amar você mil vezes
ou quantas vezes mais for possível.

sexta-feira, 1 de novembro de 2024

Para dizer "bom dia" novamente

Pode haver um dia
em que eu não vou conseguir mais
escutar aquelas músicas,
ouvir aquelas vozes,
ver aquelas fotos.

Ver um mesmo filme,
passar pelas mesmas ruas,
me entorpecer com as mesmas drogas
ou até mesmo
dizer as mesmas palavras.

Mas esse dia já existiu antes
e ele terminou,
assim como terminam
todos os outros.

E eu pude ter de volta
as minhas músicas,
meu silêncio e meu barulho,
meus quadros e visões,
os meus caminhos.

Para não "entrar docilmente nessa noite serena",
não para odiar, mas para "lutar contra o morrer da luz".
Para não viver com medo deste dia
que tantas vezes já se foi,
mas viver com a esperança
dos novos que virão.


                                                                                                                             

 “Every time we make the decision to love someone, we open ourselves to great suffering, because those we most love cause us not only great joy but also great pain. The greatest pain comes from leaving. When the child leaves home, when the husband or wife leaves for a long period of time or for good, when the beloved friend departs to another country or dies … the pain of the leaving can tear us apart.
Still, if we want to avoid the suffering of leaving, we will never experience the joy of loving. And love is stronger than fear, life stronger than death, hope stronger than despair. We have to trust that the risk of loving is always worth taking.”

― Henri Nouwen